É grande a diferença no Paraná entre o discurso político e o que está ocorrendo na prática na área da Segurança Pública, segundo afirma a Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol), que, na semana passada saiu em peregrinação pelo interior para pedir a prefeitos que cobrem do governo do estado a retirada de presos mantidos ilegalmente nas carceragens de delegacias e realize os investimentos necessários – providência necessária para que a Polícia Civil “consiga cumprir sua missão de investigar crimes e promover maior segurança à população”, afirma o presidente da Adepol, delegado Ricardo Keppes de Noronha.

Mas, além da transferência de presos, ele relata outros problemas que precisam ser enfrentados pelo governo: faltam delegados, escrivães e investigadores e viaturas e estruturas estão sucateadas. Participaram das reuniões realizadas esta semana 45 delegados e escrivães das regiões de Maringá, Londrina e Campo Mourão.

Noronha afirma que foi diagnosticado um aumento significativo da violência no Estado juntamente com o sucateamento de recursos destinados à Polícia Civil. “Nós temos uma diferença no Paraná entre o discurso político e o que está ocorrendo na prática. Faltam delegados, escrivães e investigadores em todos os municípios. O quadro de funcionários está defasado em 50%. Também faltam viaturas, armamento de qualidade e coletes balísticos com prazo de validade em dia”, enumerou.

A manutenção ilegal de presos nas delegacias é o maior problema denunciado pelos delegados. Hoje, há cerca de 10 mil presos nas carceragens. O Paraná é o único Estado do Sul do Brasil a manter essa situação caótica de presos em carceragens de delegacias.